Divertimento für Kontrasubjekte, orchestra, 2.2.2.2/4.2.3.0/Tmp., Perc., Str.

Prize: I Internationaler Eisenacher Kompositionspreis – Eisenach, Germany August 2019

A Countersubject appears as a shadow of its main theme, the Subject. It accompanies the Subject in all his travels, crossing several landscapes, carrying his suitcases, preparing his soil. However, when appreciated in itself, Countersubjects may possess great beauty and potential independently of their masters. This orchestral work uses countersubjects created by J. S. Bach for some of his famous fugues from The Art of Fugue and The Musical Offering. As the respective Subjects are absent, Countersubjects have here a free space of their own where they can amuse themselves and show all their power.

Omonawana, orchestra 2.2.2.2./2.2.2.0/perc/str., 12′

Program Note:

The Wauja Indians from the upper Xingu River (Amazon – Brazil) tell the story of a mythic time when the world was dark and cold, and they were still not human, they lived like termites under the earth. A powerful being called Kwamutú happened to appear, bringing them light which he had taken from the Fox. This light was fire and this fire was light. It was such a tremendous event that the world was completely transformed and the Wauja emerged to the surface becoming human. This power of fire and light is called Kwamutú Omonawana. The first section of this work portrays the dark under-earthly world, presenting its voices and dialogues. During the middle section, the emergence of Kwamutú generates a transmutation of the Wauja and their world. The eclosion of fire and light and the humanizing dance as the result of Omonawana constitute the dramaturgy of the third and last section.

Premiered by the Jenaer Philharmonie

Conductor: Markus L. Frank

28.04.2019, Weimar, Germany

recording of the premiere:

Variações, quinteto de sopros, 9′

Variações é uma obra para quinteto de sopros (Fl, Ob, Cl, Hr, Bs) com um tema de caráter tonal e expressivo seguido de variações que efetuam diversas transformações nos materiais temáticos. Selecionada para o XXIX Panorama da Música Brasileira Atual, no Rio de Janeiro. Estreada pelo quinteto Lorenzo Fernandez em 06.11.2018.

Ouça a estréia de Variações

Veja video da estréia na seção Videos http://acaciopiedade.com/en/video/

 

Onapapitsi, 2 flautas alto, 8′

Onapapitsi (“música de homenagem”) é uma composição para duas flautas alto baseada em técnicas musicais empregadas em rituais por povos indígenas amazônicos, particularmente o estilo alternante e sons multifônicos. Comissão para a entrega da Goethe Medaille 2018. Dedicado a Claudia Andujar.  Estreada em Weimar, Alemanha.

ouça um trecho da estréia – flauta alto: Fabian Franco Ramirez e Anne Baumbach. Stadtschloss Weimar, 28/08/2018.

Encantamentos, trio Pia, V.l, Vcl., 11′

Encantamentos é uma composição experimental para violino, violoncelo e piano que traz trechos com escrita aberta, com gestos e improvisações. A obra busca levar o ouvinte a momentos de suspensão mágica e provocar alterações na percepção temporal.

Piano: Acácio Piedade; Violino: Débora Remor; Violoncelo: Érico Miranda Schmitt.

Festival Internacional de Arte e Cultura José Luiz Kinceler, Florianópolis, 06/02/2018 (Estréia)

Solidão, soprano, piano – poema de Cecília Meireles

Solidão é uma canção para piano e soprano com poema homônimo de Cecília Meireles, publicado no livro Viagem (1939). 3’40

 

Estréia 08/03/2018

Alicia Cupani , soprano; Luis Claudio Barros, piano

dedicada a Maria Ignez Mello (in memoriam)

Bruxólicas Nr. 4 (Caderno II), piano, 7′

Nota de Programa

Parte do Caderno II de Bruxólicas, a peça Nr. 4 é irmã das Nrs. 2 e 3 pois possuem um material comum: ressonância de pedal sostenuto, acordes simétricos, um curto gesto em arabesco, entre outros materiais. Aqui o piano é dividido em 4 regiões separadas por oitavas que estão suspensas pelo pedal e criam por simpatia uma nuvem de ressonância. O início da peça é como a primeira exposição de uma fuga a quatro vozes, porém paradoxalmente sem contraponto, o contrasujeito sendo a própria nuvem de ressonância. Há um tema dodecafônico no sujeito, e ele será desenvolvido ao longo da peça. A entidade bruxólica da Bruxólicas Nr. 4 é um ser multivocal, que fala em quatro vozes com registros muito diferentes.

Acácio Piedade

Estréia:  8. Concerto Mosaico Musical, Teatro Álvares de Carvalho, Florianópolis, 12/10/2017. Piano: Acácio Piedade

Ouça aqui a estréia de Bruxólicas Nr. 4 – Caderno II

Sexteto de Clarinetes, 4 Cl. 2 Bs. Cl., 8’

O sexteto de clarinetes foi composto em 1985 durante meus estudos na UNICAMP para um grupo de clarinetistas da universidade: quatro clarinetes Bb e dois clarinetes baixo em Bb. A composição ficou inacabada e por isso não foi tocada. Em 2017 resolvi concluir este projeto, preservando a linguagem na qual ela foi escrita. A obra segue um padrão tradicional de escrita, utilizando muitas alternâncias de frases entre sub-grupos de clarinetes.

Três Estudos, violão solo, 9′

O Três Estudos para Violão foram compostos como parte do meu projeto de pesquisa A Poética da Criação Musical. Contei com a colaboração do violonista Reginaldo Pereira de Almeida, bolsista de Iniciação Científica do projeto, que pesquisou a colaboração Intérprete-Compositor. O Estudo I é atravessado por uma figura rítmica em ostinato da nota Ré sobre o qual um diálogo polifônico a duas e mais vozes se estabelece e se desenvolve. O Estudo II trabalha a sustentação de vozes em um material cromático polifônico no qual há sempre algum movimento contrário, tendo uma seção central que articula ressonâncias e sonoridades. O Estudo III tem como tema principal um material de base octatônica que é cortado por uma seção central com ressonâncias por campanella.

Acácio Piedade

Estréia: 8. Concerto Mosaico Musical, Teatro Álvares de Carvalho, Florianópolis, 12/10/2017. Violão: Marcello Brombilla.

Audio: Estudos para Violão (2017)

Linhagens II, piano, 9’

Linhagens II tem como idéia geradora uma tábua de dezessete grupos ordenados de acordes e os dois significados da palavra “linhagem”: de um lado, a costura desses acordes por linhas internas; de outro, o parentesco com o sistema harmônico tonal pelo uso de tríades. Linhagens II é dividida em quatro peças I. 2′, II.  2′, III.  2, IV. 3′.

Acácio Piedade

(inédita)

Performance Alinhavos – Linhagens II, piano e eletrônica, 25′

Estreada em novembro no XIV Encontro Nacional de Criatividade Sonora (ENCUN 2016) em Porto Alegre, a performance Alinhavos – Linhagens II tem duração aproximada de vinte e cinco minutos e propõe cruzamentos e interações que alinhavam música, poesia falada e audiovisual. A idéia é alinhavar linhas da natureza, restaurar formas conhecidas, desdobrá-las, recriando-as através de música, imagem e palavra. Multiplicidade de linguagens que se interpenetram, que se estendem em um devir contínuo de traços em plasticidade móvel, que desenha o espaço visual e sonoro.

 Alinhavos – Linhagens II faz parte de uma série de trabalhos de Silvana Leal intitulada Alinhavos. São obras plásticas, visuais, performáticas e sonoras utilizando as linhas como base de material compositivo – a linha como investigação na construção de formas e ações inusitadas. O vídeo é uma colagem de três trabalhos anteriores de Silvana que, alinhavados nesta obra, são recriados em outra concepção.

A obra musical criada por Acácio Piedade para esta ação performática, concebida para piano e eletrônica, está baseada na obra para piano solo Linhagens II. A parte eletrônica de Alinhavos – Linhagens II  foi elaborada a partir de objetos sonoros criados com instrumentos musicais (tais como vibrafone, marimba, tímpano, bombo, pratos), sons de água, rangidos de madeira e outros materiais, alterados por manipulação e modulação digital.

Silvana Leal

Ouça aqui três trechos da estréia de Alinhavos / Linhagens II

 

Três Relevos, orquestra de sopros, 10’

Três Relevos (2017)

Orquestra de Sopros

Picc., 3Fl., 3Ob., 3Bn., Eb Cl., 2Bb Cl. Bs. Cl., 2Alt. Sax. Ten. Sax., Bar. Sax., 4Hn., 3Tpt., 3Tbn., Tba., Db., Timp., Vib., 3Perc.

I. Escarpas ; II. Colinas ; III. Planícies                                 

10’

Obra selecionada pelo XVIII Panorama da Música Brasileira Atual e estreada em 27/11/2016 pela Orquestra de Sopros da UFRJ, Regência de Marcelo Jardim, Sala Cecília Meireles, Rio de Janeiro.

Nota de Programa:

Três Relevos se inspira em três diferentes geomorfismos e cargas expressivas associadas a eles. Os movimentos são executados sem separação. Escarpas aqui são repetitivas, cheias de declives e bordas que as limitam. Nas colinas terminam os pontais bruscos, as elevações são mais lineares gradualmente ascendem. As planícies aonde se chega são planas mas varridas pelos ventos, daí a agitação estática. A obra é um tipo de pintura destes cenários.

Acácio Piedade

Audio: gravação da estréia

Ouça também  Escarpas, uma versão do primeiro movimento de Três Relevos, para Banda de Sopros, executada pela Banda Mogiana (Festival Música Nova 2016), sob a regência de José Gustavo Julião de Camargo.

Devaneio, violão, 7’

Obra para violão solo composta no Ateliê Casa das Idéias, Campeche, Florianópolis. Dedicada a Silvana Leal.

Estreada pelo intérprete Benedikt Mensing:

 

Reverências, piano a 4 mãos, 20’

Nota de concerto

Ciclo Reverências (2009-2016)

O Ciclo de peças Reverências é um conjunto de obras escritas em referência às linguagens composicionais de compositores e compositoras que marcaram minha formação. Neste momento, o ciclo conta com três peças para piano a quatro mãos. A primeira é a Abertura Soviet – a Dmitri Shostakovich, composta e estreada em 2009. O primeiro tema é grandioso e o segundo, mais intimista, representando duas facetas históricas da vida deste compositor: de um lado, o compositor sujeito às regras estéticas do Estado, compelido a expressar grandiosidade e vigor; de outro, o compositor com inspiração mais livre, compondo secretamente para sua “gaveta”. A segunda peça, Adagio Misterioso – a Gustav Mahler, começa com variações sobre o motivo que chamei de “carruagem mágica”, presente em algumas obras do compositor, como a Quarta Sinfonia. A linguagem aqui remete ao período do romantismo tardio e transição para o século XX, com os primeiros passos do atonalismo. A obra se desenrola como uma fantasia, combinando o pastoral e o misterioso, algumas alusões ao motivo “tristão” e à tarde de um fauno, e ao final uma breve citação do início da Primeira Sinfonia. A terceira peça se intitula Dança do menino Tuhú – a Heitor Villa-Lobos, e tem um espírito brincalhão, dançante e popular, representando as estripulias do menino Tuhú, apelido de Villa-Lobos quando era criança. Na parte central o caráter é mais emocional e se constitui como citação da conhecida peça “Alma Brasileira”. O ciclo está impregnado de uma estética tonal com alguns toques de livre atonalismo. A segunda e terceira peças, compostas entre fevereiro a abril de 2016, que estréiam neste concerto, possuem elementos cíclicos, ausentes na primeira. Estas três peças têm uma estrutura formal tradicional, a linguagem musical sendo propositalmente tonal e conservadora, no intuito de estabelecer um diálogo aberto com estes três pilares da música de concerto do século XX. São reverências a estes mestres, referências na minha formação.

Concerto dia 03/05/2017

Duo Castelan & Barros

Auditório do Departamento de Música

UDESC

Ouça as três peças

 

Dança em Vermelho, Violoncelo, 6′

Dança em Vermelho (2015), violoncelo solo, 6′. Essa peça explora tonalidades do vermelho mostrando as qualidades escuras e quentes da respiração do violoncelo. Excertos dessa peça fez parte da trilha original do espetáculo de dança contemporânea Rec(L)usadax, da bailarina-coreógrafa Elke Siedler.

Estreada em 21/01/2018 na Konzertsaal der Musikhochschule Münster, Alemanha, pelo violoncelista Fabio Presgrave.

Ouça aqui uma gravação em estúdio feita por Fabio Presgrave (2017).

Toccata, 2 violas, 7’

Toccata, 2 violas, 7’

Esta Toccata tem o subtítulo Chamamé (ritmo sul-americano) e foi composta especialmente para o II Encontro Nacional de Violistas, que ocorreu em Florianópolis em 2016.

Executada por Alexandre Razera e Jairo Chaves, 21/10/2016, Teatro Alvares de Carvalho, Florianópolis.

Linhagens, orquestra 3.3.3.3./4.3.3.1./perc/hp-cel/str, 13’

A obra Linhagens foi estreada no Festival Tinta Fresca 2019 – Belo Horizonte, 18.06.2019, pela Orquestra Filarmônica de Minas Gerais.

premiada com Menção Honrosa

Essa obra foi escrita para orquestra sinfônica e está baseada em uma tábua de dezessete acordes. A idéia de Linhagens aponta para dois significados deste termo: de um lado, o alinhavar que costura a sucessão desses acordes através de materiais motívicos advindos deles mesmos; de outro, a obra não esconde seu parentesco com o sistema harmônico tonal pelo uso de terças e, assim, ela se coloca na linha de descendência histórica dessa grande teoria tercial que é o fundamento da música tonal. A tábua de acordes ordenados é exposta em três seções de Linhagens sendo que, a cada momento, os acordes se apresentam em blocos de texturas e timbres variados, concatenados por elementos motívicos que se originam na sua própria estrutura. Essa sucessão de cenários, ora escuros, ora lúdicos, visa provocar os sentidos do ouvinte através dos timbres orquestrais. Essas seções são intercaladas por interlúdios que estão construídos a partir de um conjunto ordenado de terças sucessivas, material que é utilizado também na seção inicial e no final de Linhagens.

Curiosidades do Microverso, dois pianos, 12′

Partitura // Links: Soundcloud
Áudios:
I. flagrante: beijo de deuses;

II. also war es gehört

III. sonho de borboleta

IV. f(r)estas

Ghot Joke – Divertimento para Trio, Fl. Ob. Bs., 7’30

Ghost Joke, divertimento para flauta, oboé e fagote (2012). Selecionada e estreada no XXVI Panorama da Música Brasileira Atual, no Salão Leopoldo Miguez (Rio de Janeiro, RJ) em 26/5/12. Selecionada e executada no London New Wind Festival em 2017.

Paraboles, 3 Vla. 3 Vcl., 12’

Paraboles

3 violas, 3 violocelos

I. La Lumière de l’Obscur, II. Les Ondes du temps.

Prêmio FUNARTE 2010, executada na XIX Bienal de Música Contemporânea, RJ, outubro de 2011

Desertos, Voz, 2 Gtr., Vcl., 28’

Desertos (2009), para mezzo soprano, dois violões e violoncelo
I. Abertura, II, III, IV, V. Interlúdio, VI, VII, VIII, IX. Final

Obra dedicada a Maria Ignez Mello (in memoriam)

Poemas escolhidos do livro Désert, Déserts, de Jean-Yves Leloup (Albin Michel, 1996). Tradução: Acácio Piedade.

 

Voz: Beatriz Sanson; Violões: Luiz Mantovani e Igor Ishikawa; Violoncelo: Hans
Twitchell.

Trio para Flauta, Violino e Piano, 6’20

O Trio para Flauta, Violino e Piano foi composto em 1982-3, quando eu era estudante de composição na UNICAMP. A obra tem três movimentos, sendo que os dois primeiros já foram estreados. O terceiro movimento, concluído em 1985, é inédito.

Gravação do Segundo Movimento

Piano: Beatriz Wolff; Flauta: Cristina Nishi; Violino: José Eduardo Gramani.